O VELHO LICEU Por: Walter Núñez Martínez

O VELHO LICEU

 velhas e espessas paredes

portas e janelas gigantescas

carcomidas pelo tempo

que insistiu em passar tão ligeiro

por detrás das amareladas e grossas cortinas

pulsando ensinamentos eternos

grandes arcos sorridentes

aconchegantes em demasia

palcos de estranha magia ecoante

campos de areia quente como o sol

como minha infinita alegria

de viver mais este momento

cidade-país-planeta-inteiro

abraçando sonhos pueris

sem fronteiras permitidas ou impostas

protegidos por inexorável e mitológica fortaleza

entre inocentes folguedos em vulgar latim

tornado clássico sobre mágicos altares

por mãos estigmatizadas desde a eternidade

à luz de curiosíssimos olhares

de quero-mais-sempre-mais

a vida surgiu usando uniforme

desfilando imponente e alinhado por largas avenidas

o orgulho corria em nossas veias

ao ritmo retumbante do trovão

que iluminava muito além da visão

que ainda não possuíamos

em dulcíssima e consentida oração

aos olímpicos deuses de então

sonho tão proverbial

teve o profeta perdido no passado distante

conquistando até a mais profunda esperança

do mais humilde artesão

ao mais imponente condor

em língua desconhecida de todos

rasgávamos ao meio o peito jovem

em varonil e etéreo louvor

ao mundo que nos abria gentilmente

as portas imensas e pesadas

do acesso impossível e utópico

a sublimada veneração

livro tão celeremente folheado

desejei conhecer-te o final

antes da obrigatória prece dominical

sem ter saboreado a pouco e pouco

teu conteúdo com doce vagar

esplendor e sepultura

choque de dupla intensidade

esplendor tocado com os dedos

sepultura com a alma preenchida

por incomparável e desmedida vaidade

abraço dado com fervor de medievo guerreiro

até a proclamação do iminente fim

daquilo que jamais terá fim

diluiu-se diante dos meninos

ao som de pequenos cantores harmonizados

entre sinos que tocavam complacentes

a tênue luz secular do ocidente

ameaçando apagar-se por completo

na frieza do ocaso definitivo

entre frios esqueletos prometidos

busquei sem tino caminhos no oriente

jamais aceito sem rico dote

embusteiro do vazio surgido

e por nada e por tudo renascido

das cinzas dissipadas pelo vento

clamor imenso trazido na alma

mesmo que encoberta a visão

poder sentir a agonia

que esmaga o inerme gigante adormecido

implorando em silêncio incontido

por absurda e surreal absolvição

perdão por maternal acolhida

de tristes vitimas de brutal escravidão

por transmutar em rutilantes astros celestes

os grãos de poeira inebriados pelos pórticos

de glória imortal sempre serena

não

não esperemos pelo amanhã incerto

mostremos ao mundo entorpecido

o que é possuir um coração

diante de todos exposto

confiante e esperançoso no porvir

do que já nasceu eterno

em onipotente majestade

 

 

São Paulo, 3 de dezembro de 2009. Walter Núñez Martínez.

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