LICEU NA FOLHA III

Grupo tenta evitar que Liceu feche
DA REPORTAGEM LOCAL

Um grupo de professores, ex-professores, funcionários, ex-funcionários, pais, alunos e ex-alunos do Liceu Coração de Jesus, que fica na região da cracolândia, fundou na última sexta-feira o Movimento Viva Liceu. O objetivo é reverter a degradação da região e evitar que a escola feche. Fundado em 1885, o colégio, onde estudaram o escritor Monteiro Lobato, o ator Grande Otelo e o compositor Toquinho, tem reduzido sua quantidade de alunos a cada ano por conta do movimento dos viciados em crack nas redondezas. Há 30 anos eram 3.000 estudantes e, agora, são 288. Entre as propostas que o grupo deve discutir com a diretoria do colégio está a utilização do teatro da escola para apresentações de peças comerciais.

Polícia quer impedir viciados de recolher latas na cracolândia

Objetivo é evitar que dinheiro obtido com a venda de material reciclável seja usado para comprar drogas na região central de SP Críticos da proposta dizem que medida pode levar viciados a praticar roubos para conseguir dinheiro para comprar o crack

AFONSO BENITES
DA REPORTAGEM LOCAL

Quase quatro meses após o início de uma operação na cracolândia que ainda não conseguiu acabar com o consumo de drogas na região, as polícias Civil e Militar querem restringir o acesso de catadores de lixo a materiais recicláveis. O objetivo é evitar que os viciados que frequentam o local, no centro de São Paulo, obtenham dinheiro com a venda de latinhas e papelão para empresas de reciclagem e o usem para comprar droga. A proposta foi apresentada pelas polícias de São Paulo ao grupo de trabalho que atua na região e internou mais de 40 usuários – parte deles desistiu de ser tratada. “O pessoal [da cracolândia] está sobrevivendo [da venda] do lixo. Pegam material reciclável, vendem por R$ 10, R$ 15, comem no Bom Prato, por R$ 1, e com o resto compram droga e usam ali”, diz o delegado da 1ª seccional (centro), Aldo Galiano Júnior. A ideia é que os comerciantes coloquem o lixo nas lixeiras em um horário previamente combinado com as empresas de coleta e que ele seja recolhido rapidamente. Assim, os “noias”, como são chamados os viciados, não teriam como catar o material reciclável e vendê-lo. Atualmente, a coleta na região central é feita à noite, geralmente após as 22h, três horas após o fechamento do comércio, segundo lojistas. Em nota, o subprefeito da Sé, Nevoral Bucheroni, informou que o órgão está trabalhando na conscientização dos grandes geradores de lixo para que eles colaborem com a limpeza, depositando o lixo no horário próximo ao que é realizada a coleta.

Catador

 A arquiteta Nina Orlow, membro do Grupo de Trabalho e Meio Ambiente da ONG Movimento Nossa São Paulo, diz que a proposta não tem relação com a redução da permanência de viciados na cracolândia. “A solução não é a questão do resíduo. Se o viciado não tirar a renda de lá, vai tirar de outro lugar, pode ser até roubando. Ele não vai deixar de se viciar porque ele não poderia mexer no lixo”, afirma. Para ela, que defende uma ampliação da coleta seletiva na região, o projeto das polícias diz nas entrelinhas que todo catador é usuário de crack. “O que não é uma verdade.” “Vivo disso. Não uso drogas. O dinheiro que eu tiro do lixo é só para comer”, disse o catador José Alves, enquanto recolhia papelão na rua Vitória. Os comerciantes e moradores da região se dividem sobre a proposta. Geraldo Oliveira, gerente de um bar na rua Guaianazes, diz que o projeto poderia diminuir a sujeira das ruas e evitar aglomerações de “noias”. Já Ribamar da Rocha e Silva, recepcionista de um hotel na Conselheiro Nébias e morador da mesma rua, afirma que, sozinha, essa ação é inócua. “Nos últimos meses já diminuiu a quantidade de “noias”, mas, para ficar melhor, tem de aumentar a segurança. Se tirarem as latinhas, eles vão ficar pedindo dinheiro ou praticando furtos.”

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Uma resposta to “LICEU NA FOLHA III”

  1. Fabio A. Mazzarino Says:

    Sou blogger, amo São Paulo, e sou da opinião que não somente o centro, mas todas as instituições históricas deveriam ser preservadas. Inclusive o Liceu.

    Fui também morador de Campos Elíseos, e trabalhei por um bom tempo no Centro de São Paulo. Aonde moro até hoje.

    Gostaria de auxiliar na luta de vcs pela sobrevivência do Liceu. Acredito que em breve o bairro irá se tornar viável tb, eliminando parte dos problemas que estão causando a míngua do colégio.

    Posso auxiliar com o design do blog do movimento e a adaptação para o tema do WordPress. Caso seja de interesse, entrar em contato pelo email.

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