Desculpa de aleijado…

por: Victor Auilo Haikal (vah@terra.com.br)

É com muita tristeza que recebo as notícias do Liceu desta forma. Isso é resultado de um processo que já se arrasta há algum tempo. Aos poucos o colégio foi esvaziando, pelos mais diversos motivos e, dentre eles, o de sua localização com os deméritos que são sabidos por todos e, talvez, seja o principal vetor deste fenômeno.

Fala com propriedade o arquiteto Serapião, sobre o fenômeno da “periferização” dos colégios, contudo, não observou o cerne do problema que gravita em torno de uma degradação contínua daquela região específica, pois nem todos os colégios tradicionais migraram.

Basta observar um dos “imortais”, o Colégio Rio Branco e, cada vez mais em expansão, a Escola Americana, vinculada ao Instituto Presbiteriano Mackenzie, que também ficam na região Central.

As únicas instituições no entorno do Largo Coração de Jesus que permanecem com status de bom funcionamento são o Colégio e a Igreja.

As reformas que o governo diz fazer, de um modo geral, parecem não surtir efeito, pois além de levar muito tempo, não produzem efeitos estruturais na sociedade, encerrando apenas um quesito estético, transferindo o problema para regiões mais próximas.

Falta espaço hábil para discorrer sobre a tragédia que ocorre nesta região específica do Centro de São Paulo.

Convido o leitor a passear pela rua Helvétia, entre a Estação Júlio Prestes e o Terminal Princesa Isabel durante o horário comercial. A sensação é indescritível.

Após, convido-o a seguir pela Av. Rio Branco até percorrer o Vd. Orlando Murgel (acesso à Av. Rudge), e reparar o espetáculo do crescimento das sub-moradias que lá existem.

Depois, tire as próprias conclusões.

O consumo de drogas cresce exponencialmente na sociedade, o que não justifica o esvaziamento do Colégio, mas, se deve a um cenário construído por uma organização criminosa que circunda o tráfico que literalmente controla a região e impede o aproveitamento dos bens públicos da forma que deveriam.

Diante da apresentação de todas as variáveis, devemos levar em consideração que a concorrência é impiedosa e, por isso e nada mais, que o esvaziamento foi inevitável.

Pelo mesmo preço, e quiçá menor, poupam-se os filhos desta triste realidade e de riscos potenciais que lá circundam.

Ainda existe a onda de colégios-cursinhos, que roubam público com a falsa idéia de eficiência em aprovação em exames vestibulares, criando robôs e estimulando a repetição, e não o raciocínio e a criatividade.

Quem participou de uma Maratona Cultural, sabe do que estou falando…

A solução não é o governo que deve dar. Mas, o mínimo que deveria estabelecer, seria a condição adequada de saúde do bairro e de seus arredores, de modo a proporcionar alguma expectativa de sucesso com investimentos de revitalização do próprio colégio, com visão empresarial e corporativa, o que, muitas vezes, a parceria eclesiástica não permite.

Estou apto para discutir o tema e, caso seja de real interesse dos ex-alunos, buscar medidas mais enérgicas do Poder Público e estudar junto ao Colégio alguma saída para seu restabelecimento.

Uma resposta to “Desculpa de aleijado…”

  1. Marco Says:

    Concordo e vou além. Em grande medida, o esvaziamento do Liceu, pela incapacidade de gestão empresarial, também é responsável pela degradação do entorno. O espaço público vazio (de pessoas, de poder público) é que se auto destrói.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s