| O VELHO LICEU
velhas e espessas paredes
portas e janelas gigantescas
carcomidas pelo tempo
que insistiu em passar tão ligeiro
por detrás das amareladas e grossas cortinas
pulsando ensinamentos eternos
grandes arcos sorridentes
aconchegantes em demasia
palcos de estranha magia ecoante
campos de areia quente como o sol
como minha infinita alegria
de viver mais este momento
cidade-país-planeta-inteiro
abraçando sonhos pueris
sem fronteiras permitidas ou impostas
protegidos por inexorável e mitológica fortaleza
entre inocentes folguedos em vulgar latim
tornado clássico sobre mágicos altares
por mãos estigmatizadas desde a eternidade
à luz de curiosíssimos olhares
de quero-mais-sempre-mais
a vida surgiu usando uniforme
desfilando imponente e alinhado por largas avenidas
o orgulho corria em nossas veias
ao ritmo retumbante do trovão
que iluminava muito além da visão
que ainda não possuíamos
em dulcíssima e consentida oração
aos olímpicos deuses de então
sonho tão proverbial
teve o profeta perdido no passado distante
conquistando até a mais profunda esperança
do mais humilde artesão
ao mais imponente condor
em língua desconhecida de todos
rasgávamos ao meio o peito jovem
em varonil e etéreo louvor
ao mundo que nos abria gentilmente
as portas imensas e pesadas
do acesso impossível e utópico
a sublimada veneração
livro tão celeremente folheado
desejei conhecer-te o final
antes da obrigatória prece dominical
sem ter saboreado a pouco e pouco
teu conteúdo com doce vagar
esplendor e sepultura
choque de dupla intensidade
esplendor tocado com os dedos
sepultura com a alma preenchida
por incomparável e desmedida vaidade
abraço dado com fervor de medievo guerreiro
até a proclamação do iminente fim
daquilo que jamais terá fim
diluiu-se diante dos meninos
ao som de pequenos cantores harmonizados
entre sinos que tocavam complacentes
a tênue luz secular do ocidente
ameaçando apagar-se por completo
na frieza do ocaso definitivo
entre frios esqueletos prometidos
busquei sem tino caminhos no oriente
jamais aceito sem rico dote
embusteiro do vazio surgido
e por nada e por tudo renascido
das cinzas dissipadas pelo vento
clamor imenso trazido na alma
mesmo que encoberta a visão
poder sentir a agonia
que esmaga o inerme gigante adormecido
implorando em silêncio incontido
por absurda e surreal absolvição
perdão por maternal acolhida
de tristes vitimas de brutal escravidão
por transmutar em rutilantes astros celestes
os grãos de poeira inebriados pelos pórticos
de glória imortal sempre serena
não
não esperemos pelo amanhã incerto
mostremos ao mundo entorpecido
o que é possuir um coração
diante de todos exposto
confiante e esperançoso no porvir
do que já nasceu eterno
em onipotente majestade
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